Dr. Andy Pruitt – A Brief History of BCSM, Fitting and Specialized BG Fit


DR. ANDY PRUITT Em todas as vidas, especialmente com 60 anos, todos temos revés na vida, momentos de reviravolta. A maior reviravolta da minha vida foi quando
perdi a parte inferior da minha perna direita, aos 14 anos, num acidente com um tiro de caçadeira. Eu era um rapaz do campo, mas era
grande e veloz para 14 anos. E era visto como um atleta promissor. Por isso, ao acontecer-me isto aos 14 anos,
e pensando que poderia ter morrido, acabamos por tomar decisões para a vida. Podemos lamentar e ficar com pena de nós próprios,
ou podemos avançar com a nossa vida. Eu era um rapaz de avançar e eu decidi viver uma vida preenchida
e fazer boas coisas. Não morri por uma razão.
E queria fazer coisas boas. E isso significava para mim que viria
a praticar um ramo da medicina. O meu pai era quiroprático na nossa terra e tive por isso desde cedo contacto
com a medicina. De alguma forma, segui as pegadas do meu pai. Queria fazer coisas boas. Penso que o BG Fit é uma dessas coisas
que queria fazer. Se conseguimos melhorar a qualidade de vida
das pessoas através do BG Fit, então fiz uma coisa boa. UMA HISTÓRIA NO CICLISMO Tal como toda a gente, eu andava de bicicleta
quando era miúdo, e pedalava na faculdade. A primeira bicicleta que comprei foi uma Schwinn Typhoon para
entregar jornais e ganhar dinheiro. Eu andei de bicicleta toda a vida,
tal como toda a gente. Mas comecei a praticar ciclismo mais a sério
quando tinha vinte e poucos anos. Eu era praticante amador de esqui e preparador
físico na Universidade do Colorado, e usava a bicicleta para treinar no verão. Comecei a fazer competição logo
pouco tempo depois, e fui subindo de escalão como toda a gente. Cheguei à categoria Cad 2, o que é um feito notável
tendo em conta a amputação por baixo do joelho. Para mim, chegar à Cad 2 e competir
com ciclistas normais valeu tanto como dois campeonatos
para deficientes. NO SÍTIO CERTO
À HORA CERTA Houve uma série de fatores que
me conduziram ao Fit da bicicleta e à medicina desportiva ligada ao ciclismo. Primeiro, há que estar no sítio certo à hora certa. Estava em Boulder, Colorado, onde o ciclismo americano
surgiu com força na década de 70 e 80. E ainda se mantém assim, mas naquela
altura era mais evidente. Havia imensa gente que precisava de ajuda. Eu era ciclista, todos sabiam disso, e era diretor de medicina desportiva na
universidade em Boulder naquela altura. Foram todos esses fatores em conjunto. As primeiras pessoas a fazerem um BG Fit
foram ciclistas de alta performance que vieram ter comigo com uma lesão. Eu tinha de trabalhar do fim para o princípio. Se o joelho doía na parte de dentro,
eu analisava os pedais, a forma como pedalavam e treinavam. E procurava descobrir a causa da lesão
do fim para o princípio. CONCEITO DO CENTRO DE MEDICINA
DESPORTIVA DE BOULDER Antes de existir o Centro de Medicina
Desportivo de Boulder, os atletas com lesões não tinham nenhum
sítio onde procurar ajuda médica, não havia nenhum local que tratasse lesões
de diversas modalidades diferentes. Por isso, passei da universidade para
um consultório privado de ortopedia e tentei criar um conceito que até
teve algum sucesso. A combinação do meu trabalho com
o Centro Olímpico de Treino, com a seleção americana de ciclismo e também
com o consultório privado em Denver fez-me perceber que todos os atletas mereciam
acesso a este tipo de serviços. O Centro de Medicina Desportivo de Boulder
abriu em 1998 com uma visão de um centro aberto
ao público em geral. E foi por isso que tivemos grande sucesso. UMA BREVE HISTÓRIA DE FIT Há 30 anos atrás, o Fit de uma bicicleta
resumia-se ao tamanho do quadro, à visão lateral da bicicleta nos planos XY. No final dos anos 80, Bill Farrell da Academia
de Ciclismo de New England inventou um kit de Fit. Tentou então instrumentar e criar
um guia para o Fit da bicicleta. Era uma ferramenta XY e analisava também
a posição dos encaixes dos sapatos. Esses foram os primeiros métodos científicos
para ajustar a bicicleta às pessoas. ACRESCENTAR A TERCEIRA DIMENSÃO Foi um israelita, o Dr. Gideon Ariel, biomecânico e treinador da seleção nacional
de atletismo de Israel que desenvolveu o processo de captura
do movimento 3D. Naquela altura foi usado apenas para o atletismo. Ele então ligou-me e disse: “Eu dou-lhe todo este material,
todo este equipamento, se estiver interessado em estudar
o ciclismo em 3 dimensões. Naquela fase, estávamos na transição entre
pedais planos antiquados de encaixe aberto com apoios (cleats) pregados ou aparafusados
em solas de madeira ou plástico, e estávamos a começar a usar os pedais
Look com o apoio preto fixo. As lesões nos joelhos passaram a ser uma epidemia. E punha-se a questão sobre a flutuação. Por isso, em meados dos anos 80 surgiu
o sistema de pedais da Time. Tinha a flutuação ajustável com uma mola. A questão que toda a gente colocava era:
“Qual o grau de flutuação necessário?” Eu afirmei que dependia da rotação tibial. Preparámos por isso o sistema 3D
para medir a rotação tibial. Agora sabemos que não se consegue medir
a rotação tibial porque a tíbia roda debaixo da pele, e os marcadores que colocamos na pele
não refletem a rotação da tíbia. O segundo fator mais importante era medir
a deslocação lateral do joelho que representa um desperdício de movimento. Por isso deixámos de tentar medir a rotação tibial
e passámos a analisar a deslocação lateral do joelho. Hoje em dia, continua a ser o fator principal quando
se analisa o alinhamento do joelho no ciclismo. O NASCIMENTO DO SAPATO BG No verão de 1999 o Roger Minkow que
concebeu com grande sucesso o selim BG veio falar comigo sobre o potencial que poderia
ter um sapato com o conceito BG. E conversámos sobre o que
aprendi ao longo dos anos e quais as características que um
sapato de ciclismo deve ter. O sapato BG nasceu no outono de 1999.
O primeiro modelo foi lançado em 2000. DESENVOLVIMENTO DE UMA “FERRAMENTA” BG FIT O Mike Sinyard veio ter comigo durante uma
apresentação da marca em Santa Cruz, e disse: “Eu gostava de desenvolver uma ferramenta de Fit” Naquela altura havia algumas fórmulas
muito populares. Havia o “Body Snatchers”, e muitas outras… Fórmulas que faziam crer que
o Fit de uma bicicleta era simples. Disse-lhe que uma ferramenta de Fit não iria ser
uma coisa tão simples como à partida parecia. Há muitos fatores a ter em conta.
O bike Fit é um processo complexo. E se há alguém que nos podia ajudar a desenvolver
essa ferramenta, esse alguém era o Ben Serrota. Eu ajudei o Ben Serrota nos primeiros cursos
de Serrota Fit a desenvolver o conceito. E tentámos munir-nos com as melhores
ferramentas e métodos que havia na altura. Verdade seja dita, eram ferramentas que
funcionavam bem para alguns casos, mas na realidade não eram ferramentas de Fit. Confrontado com essa realidade, consegui
convencer o Mike de que o que tínhamos de criar era uma
escola de Fit, e fazer com que os profissionais das lojas usassem os melhores
métodos de Fit jamais estudados. E havia lojas em todo o mundo. A DIFERENÇA SPECIALIZED “E porquê a Specialized?”
perguntam-me isto muitas vezes. Para mim foi óbvio logo de início que
o Mike Sinyard, o dono da empresa, tinha uma visão acerca do que deve ser uma
empresa muito especial de bicicletas. Ele não tinha medo de inovar.
Não tinha medo de correr riscos. Não tinha medo de cometer um ou dois erros
ao longo do percurso que conduz ao sucesso. Quando percebi a aliança que existe
entre os distribuidores Specialized, a relação próxima que mantêm, e como
esta família é grande em todo o mundo, percebi que esta empresa conseguiria transmitir
uma mensagem muito importante sobre lesões, performance e bike Fit. E fazê-lo sem ter medo de liderar e inovar. Com o alcance global da Specialized, em vez de ver
20 pacientes no meu consultório, consigo interagir com milhares de
pessoas por dia em todo o mundo graças ao alcance do SBCU e do BG Fit. HISTÓRIAS DE SUCESSO Há muitas histórias de sucesso, em que conseguimos realmente melhorar
a vida das pessoas. Eu obtenho tanta satisfação pessoal quando
consigo salvar um estilo de vida como quando consigo tornar um
ciclista do Pro Tour mais veloz. Sinto igual prazer nessas duas realizações. Atletas amputados, pacientes com esclerose múltipla,
todos beneficiaram do processo BG Fit. Recebemos uma vez um paciente com
um cotovelo despedaçado. Ele tinha o cotovelo bloqueado. E acabou por ficar com duas posições
muito diferentes das mãos. Usámos dois guiadores separados, dois avanços,
tudo na mesma coluna de direção, e que tornou a bicicleta confortável para ele. Sei lá, temos realmente milhares de
histórias de sucesso. Gosto imenso de ouvir as histórias que
nos chegam dos agentes Specialized. Todos os agentes têm pelo menos um cliente
com uma história de sucesso.

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